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A arte da república, parte 1

fevereiro 4, 2019

Me mudei para Portugal. Mais especificamente, Porto.

Mais especificamente ainda, uma república de cinco quartos na área universitária. Os países envolvidos nesse convívio internacional e confuso são: Brasil, Portugal, Polônia e Coreia do Sul.


Decidi que nada mais justo do que compartilhar aqui alguns dos excelentes momentos que oscilam entre “Que é isso, minha gente?” e “Que coisa maravilhosa”. Fica aqui a primeira parte. Espero que gostem!

 

As paredes falam.

É um banheiro para três quartos da casa. Os outros dois quartos possuem o próprio. Eu, como uma das agraciadas pelo banheiro comunitário, me surpreendi com o hábito da coreana de se comunicar de um jeitinho diferente. Ela já deve ter decorado (assim como eu) os diferente passos dos moradores. Então, quando ela ouve que eu estou a caminho do banheiro, ela me espera estar quase na porta para dar três batidinhas. Falar que está ocupado? Me deixar tentar entrar para perceber que a porta está trancada? Nope. Tap. tap. tap…

…Mas eu acho que sei da onde veio esse hábito.

Uma vez, logo no início da mudança, eu ainda estava me acostumando com o fato de que o interruptor do banheiro é o único que fica sempre do lado de fora do cômodo. Dito isso, estava eu indo entrar no banheiro, quando, automaticamente, liguei o interruptor…

Mas na verdade não foi isso que aconteceu. Eu desliguei. Com a coreana lá dentro. Ouvi um pequeno grito, liguei de novo, gritei “I’m sorry” e saí de lá correndo como se nada tivesse acontecido.

The X Files

Recentemente fui surpreendida por um caso de nível Mister M. A casa, que é muito bem suprida de bens domésticos, com um número próximo a dez mil pratos, copos e canecas, tratou por desaparecer todos os tipos de coisas. Em um dia que quis tomar chá, onde estavam as canecas? Para tomar iogurte no pote… Onde eles estão? E os copos de vidro?

Todos criaram pernas e foram ver o Rio Douro sem deixar rastro. Foram dias esperando que os objetos estivessem dentro do quarto dos outros moradores, e que eventualmente eles voltariam para a prateleira. Mas não.

Depois de observar os movimentos da moradora polonesa, MISTÉRIO RESOLVIDO: todos eles foram passar férias dentro da máquina de lavar. Tudo que ela usa, aparentemente, vai parar lá dentro — mas nunca sai. Ela deve estar esperando que eles saiam todos sozinhos um dia, como se estivessem voltando do break do almoço para o batente.

(Final feliz para o meu iogurte!)

Poloneses também são tijucanos

Você, caro amigo brasileiro, achava que o dom de falar aos berros normalmente era nosso? Achou errado, querido! Eu já estou quase aprendendo polonês por osmose, pois consigo ouvi-la: (1) Quando estou em quarto e ela no outro. (2) Quando estou no andar debaixo estudando e ela no andar de cima. (3) Quando estou no quarto e ela está no ponto de ônibus na rua.

To skomplikowane, kolego. (É complicado, colega)

A arte do perdão

Como dito anteriormente, moro com uma sul coreana. Além de ser uma pessoa extremamente educada, simpática e limpa, “I’m so so sorry!” (Me desculpa!) é a resposta para quase qualquer coisa. Para mim, quando pergunto se um pacote em cima da mesa era dela, para o Bernardo, quando pergunta se a roupa no varal é dela, e para a lata do lixo, quando ela foi tropeçada.

Panela? Nunca vi.

Aqui nessa casa acontece acontece um fenômeno incrível. É o seguinte: o morador x faz a sua comida, lava tudo menos uma panela. Deixa ela de molho para lavar mais tarde. Passa a tarde, noite, madrugada, dia seguinte… Nada. Se passaram 24 horas e aquilo não foi lavado? O morador deixa de achar que aquilo lhe pertence. Isso acontece tranquilamente toda a semana. Aí quando chega o outro morador, 4 dias depois, e fala “Hm… acho que isso é seu”. O primeiro faz cara de “??? Meu? Você está louca, querida”.

Todas. As. Semanas.

Nota do Apezinho: Você pode acompanhar a viagem da Biba por Portugal através do seu perfil no Instagram, @dolemeaodouro. Ele é muito fixe!

Segue lá, ela vai adorar! :)

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