mudar

Vida minimalista

outubro 25, 2015

Allison Vesterfelt escreveu um post sobre como se desapegou dos excessos de sua vida. Fácil? Não, não. Compensou? Muito. As imagens lindas são do nosso Tumblr preferido: Gravity.

Dá uma lida!

***

Enquanto isso, em outra parte do país, o meu agora-marido também estava em uma jornada igual a minha. Embora não nos conhecêssemos, ele também estava percebendo, assim como eu, que suas posses não o realizavam e, por isso, estava se desafiando a deixá-las. No momento em que nos conhecemos, conversamos longamente sobre o significado da vida, além do mundo material. Desde então estamos juntos e experimentando essa busca.

Eu digo “experimentando” porque tem sido um processo encontrar o equilíbrio saudável entre o muito, o pouco e o suficiente. Apesar dos erros cometidos, a viagem tem sido extremamente gratificante. Nós perdemos um monte de coisas ao longo do caminho, mas não sentimos saudades delas.

Listamos aqui o que ganhamos:

A paz de espírito. No início, a ideia parecia horrível. Como eu poderia dar essas roupas, almofadas ou a caixa de cartas?! Elas eram tão importantes para mim. Mas depois de seis meses eu mal conseguia me lembrar por que eu precisava tanto delas. De repente eu tinha energia mental e emocional novamente. E paz.

Controle sobre os impulsos. Assumi que era o tipo de pessoa que não tinha controle sobre meus impulsos. Ter controle sobre eles não foi uma questão de personalidade ou temperamento, mas de disciplina. Hoje eu tenho o poder de andar livremente pelas lojas e só comprar o que preciso ou sair de mãos vazias, se eles não têm o que estava procurando. Parece simples, mas essa mudança atingiu outras áreas da minha vida.

Saúde e felicidade. Estou realmente saudável e mais feliz, desde que decidi viver com menos coisas. Durmo mais, trabalho menos e me sinto menos estressada com dinheiro.

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Liberdade para perseguir meus sonhos. Nos últimos anos sou capaz de perseguir o que realmente importa, porque não estou atolada com o pagamento do carro ou presa a um trabalho que odeio (mas que paga minhas contas). Posso viajar, escrever um livro, desenvolver amizades, passar mais tempo com meu marido, trabalhar em projetos que me interessam ou me dedicar a projetos sem fins lucrativos, que me dão alegria e satisfaz o meu espírito.

Uma compreensão maior sobre “responsabilidade”. Estou aprendendo a ser mais responsável com meu lado espiritual e emocional que transcendem o físico. Em outras palavras, eu me escuto e me respeito mais do que antes,

Dinheiro extra. Costumava pensar que mal tinha dinheiro para pagar minhas contas. Vivia apertada com meu salário. É incrível quando percebemos que podemos viver sem TV a cabo, internet ou academias de ginástica. Também compartilhamos um carro e não temos cartão de crédito. Nossas decisões não funcionam para todos, mas aprendemos que há espaço em nosso orçamento quando desistimos de coisas que não estão em primeiro lugar.

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Novas experiências. Agora temos mais tempo para novas experiências, eventos, conferências, férias, visitas ao amigos. Quando um de nós viaja a trabalho, o outro acompanha muitas vezes. Gostamos de conhecer restaurantes, explorar novos lugares e ser generoso com quem gostamos. Hospedamos pessoas no nosso apartamento muitas vezes. Gastamos dinheiro com aulas e livros. Investimos parte de nossos contracheques nessa curadoria e nunca nos arrependemos!

Coragem. Ao contrário daquele falso sentimento de segurança, estou espantada com a coragem que criei, depois que cortei meus excessos materiais. Porque as minhas coisas não me definem, sou capaz de assumir mais riscos pelo que realmente importa. (tweet isso!)

Um senso de individualidade. Por muito tempo pensei que o que possuía dizia algo sobre mim. Talvez dissesse mesmo. Daí a importância de naquela época ter, por exemplo, um sofá caro. Agora esse pensamento me parece tão ridículo (e triste e humilhante). Mas eu acho que o que sentia era um reflexo da minha auto-estima. Agora eu não tenho um sofá caro e a minha auto-estima vem de um lugar muito mais profundo e seguro. Ela não tem preço.

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Relacionamentos melhores. Não é nenhuma surpresa que, com mais coragem, uma melhor compreensão sobre mim, menos ansiedade, mais liberdade e maior disciplina fizeram com que meus relacionamentos melhorassem dramaticamente. Minhas amizades são mais ricas e mais satisfatórias. Eu brigo menos com meu marido. Sou menos propensa a relacionamentos tóxicos que roubam toda a minha energia. É mais fácil deixar as coisas bobas irem embora, porque eu entendo o que importa agora.

Minha vida não é perfeita, mas sou muito mais feliz e satisfeita do que antes. Meu novo caminho é sem volta e jamais voltaria atrás na minha decisão.

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11 Comentários

  • RespondaTirza Myga Garciaoutubro 28, 2015 at 3:49 pm

    Gratidão por teres compartilhado texto & experiência! Eu estava precisando deste empurrãozinho, morando na casa em que cresci e voltei após 20 e poucos anos, cheia de coisas minhas do tempo da faculdade e de minha mãe, morando há 2 anos numa clínica geriátrica. Me dei conta de que preciso dar um rumo, uma nova direção não só ao espaço físico, mas principalmente a este novo momento de minha vida após separação. Realmente agradecida! Abç

  • RespondaMariely - Customizandooutubro 28, 2015 at 5:08 pm

    Adorei o texto! Veio de encontro ao que ando buscando. Não é nada fácil se desapagar das coisas, estou tentando fazer algum pequeno desapego por dia, é gratificante.

    • Daniela Pereira
      RespondaDaniela Pereiraoutubro 28, 2015 at 6:33 pm

      Oi Mari, difícil, né? Mas faz tão sentido esse esforço. É a nossa meta também! Beijos e volte sempre!

  • RespondaDiego Carzaoutubro 30, 2015 at 5:29 pm

    Voltei só pra ler novamente!
    Esse penultimo paragrafo “Relacionamentos melhores” é mto inspirador pra mim e eu vou imprimir só pra ler sempre!

  • RespondaMoninovembro 1, 2015 at 11:25 am

    Perfeito. Esse texto foi um ótimo “achado”. Gostei muito e estou exatamente minimizando as coisas em minha casa. Alem de nova decoração, me veio novos espaços e ótimas oportunidades. Obrigada por compartilhar.

  • RespondaElisangelanovembro 3, 2015 at 12:02 am

    Ideias profundas! Realmente é humilhante considerar que uma camisa ou calça de marca é o que me define. Considerar que serei digna de valor se minhas gavetas estiverem cheias, se possuir um carro…
    Obrigada pela aprtilha…

  • Respondaletícia volponifevereiro 22, 2016 at 6:02 pm

    Amei o texto e tem tudo a ver com o que estou buscando, mas ainda não tenho respostas sobre como abdicar da escola particular e do plano de saúde com a qualidade de educação e saúde pública que temos hoje.

  • RespondaCíntiafevereiro 24, 2016 at 11:00 pm

    Idade do desapego …estou com 42 anos e fazendo limpa …livros…roupas…etc…
    Lema ficar leve !!! ❤

    • Daniela Pereira
      RespondaDaniela Pereiraabril 28, 2016 at 4:19 pm

      Ficar leve sempre, Cíntia! Desapegar é um mantra! Beijos.

  • RespondaGeisasetembro 15, 2016 at 10:07 am

    Que texto lindo!
    E é incrível como o desapego de coisas materiais transformam a energia dos relacionamentos…
    Estou amando viver com menos… doei grande parte das minhas roupas, os livros da faculdade que não usava mais… utensílios de casa e decoração e muitas outras coisas!
    Minha casa e minha vida estão mais leves!

    • Daniela Pereira
      RespondaDaniela Pereirasetembro 19, 2016 at 11:40 am

      Sim!! A gente não se dá conta de como esse excesso nos paralisa, Geisa. Descartá-los é dar espaço pra energia circular. Precisamos disso. Beijos e boa semana!

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