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Procura-se imóvel!

outubro 17, 2016

Um livro bem humorado sobre as diferenças e semelhanças dos estilos de vida carioca e paulistano. Essa foi a missão do Felipe, nosso amigo e colaborador do Apezinho, ao escrever Ponte aérea – Manual de Sobrevivência entre Rio e São Paulo. Nesse post você tem acesso a um dos seus capítulos, oba! Ele fala sobre a caça ao apezinho novo nas duas cidades. Que ópera!

Não deixe de ler também o glossário. Ele é cheio daquelas palavras que a gente acha que são uma coisa e na verdade são outra! :)

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Buscar casa ou apartamento no Rio e em SP não é uma missão fácil. Para evitar ser enrolado pelo mercado imobiliário, o melhor a fazer é aprender a se comportar como um local. Para começar, apesar da fama de trabalhadores dos paulistanos, nem pense em visitar imóveis aos domingos e feriados. Diferentemente do Rio, essa prática não existe em São Paulo: os corretores não trabalham nesses dias, e nem os prédios deixam candidatos a morador subir. Mesmo aos sábados, em vários deles só é possível entrar até a hora do almoço. Eu fico intrigado e me pergunto quando é que o paulistano, que trabalha tanto, consegue conhecer o apartamento que ele vai comprar.

A primeira coisa que um carioca olha na hora de escolher um apartamento para morar é a vista. Viciado nas belezas naturais de que tanto se orgulha, o cidadão do Rio gosta tanto de olhar pela janela, que vai te vender um apartamento “de vista para o mar”, ainda que seja necessário subir num banquinho, colocar a cabeça para fora e se entortar um pouco para ver o horizonte com um espelho. E pior: outro carioca vai comprar e jurar que dá para ver o Cristo Redentor dali, mesmo que seja a ponta da unha do dedo mindinho direito da estátua.

Se os prédios do Rio foram construídos “colados” uns nos outros, possivelmente pela falta de terreno ou de planejamento urbano mesmo, impedindo a circulação de ar em muitos bairros, os de SP foram feitos quase todos “de lado”, provavelmente por conta do formato dos terrenos, mais retangulares e profundos com a largura menor.

Com isso, as janelas principais dos apartamentos paulistanos ficam viradas para o edifício imediatamente vizinho, o que acaba provando também que o cidadão de SP, mais pragmático e menos romântico, não liga tanto assim para a vista, já que a parte da casa que fica virada para a rua é a área de serviço (“lavanderia” porque paulistano é chique).

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Enfim, pode ser também só porque o paulistano pensa sempre na qualidade de vida da sua empregada doméstica. Esses prédios são da década de 1970 e 1980, dizem, mas não se surpreenda se você encontrar algum edifício mais novo com essa configuração. Se for lançamento, o apartamento com vista para dentro do condomínio periga ser o mais caro do empreendimento.

Paulistano gosta tanto de vista, que inventou a janela de 3 folhas com espaço para apenas duas delas, sendo só uma de vidro, modalidade presente na maioria dos edifícios residenciais da cidade dos mais diferentes padrões. O ambiente jamais ficará totalmente iluminado pelo sol e você tem que escolher entre ficar com a janela meio aberta ou com o ambiente completamente escuro. A vista, nesses casos, jamais ocupará todo o esquadro da janela, muito menos esta ficará totalmente aberta para a ventilação. Também não é possível ficar com um lado no vidro e o outro aberto para o ar entrar.

Para paulistanos clássicos, prioridade mesmo são as vagas de garagem. Por isso, existem edifícios com espaço para até seis veículos por apartamento. Se algum paulistano te falar de uma “puta vista” em SP, provavelmente, será um mar de prédios vistos de cima, o chamado “skyline” paulistano, depois de um tempo em São Paulo, o carioca ,sem opção, até aprende até a curtir. Apartamento com vista boa em SP é o que fica virado para o cemitério: é a chamada vista eterna (no caso, literalmente), única com garantia (quase total) de que não subirá um prédio enorme colado à sua janela. Além disso, costumam ser as áreas mais arborizadas da cidade mesmo.

Outro fator de atratividade mais moderno, e que pode até substituir ao menos parcialmente o elevado número de vagas para carros, é a proximidade do imóvel em relação ao trabalho do sujeito: ser abençoado em SP é poder ir e voltar a pé do trabalho (ou pegar um táxi de menos de R$ 20 num dia de chuva).

Uma característica interessante do mercado imobiliário paulistano é a quantidade de placas penduradas nas grades de edifícios, ou fincadas nos seus jardins frontais, anunciando “aluga-se”, “vende-se”. Isso permite que você avalie previamente se que morar ali, ou não, sem ficar refém de anúncios fantasiosos nos jornais ou na internet. É uma forma interessante de se conhecer a vizinhança antes, o que não deixa de ser um hábito curioso para uma cidade onde as pessoas ainda estão aprendendo a andar a pé pelas ruas.

Outro problema é que, na maioria das vezes, seu primeiro contato com as demais informações do imóvel ou com a imobiliária será o porteiro do prédio, personagem que pode se tornar extremamente perigoso quanto mais informações ele detiver.
E ele fará uma análise socioeconômica minuciosa sua quando você perguntar se “tem apartamento para comprar/vender neste prédio”. Se o candidato a morador não estiver bem vestido(a), corre o risco de ouvir uma resposta como “tem, mas é caro”, como já ocorreu com um amigo meu. Ele planeja voltar ao edifício quando um novo apartamento estiver disponível, para repetir a pergunta e responder de volta, dizendo que só estava interessado se houvesse algum com pelo menos cinco suítes, para não perder a pose. :)

Nota do Apezinho: Curtiu o texto do Lipe? Deixa um recado pra ele na página do Ponte aérea no Facebook. Olha o nosso amigol! <3 E não deixa de ler o glossário: #AjudaFelipe

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Outra nota do Apezinho: As imagens lindas do post são do cantinho da Josy. Fomos visitá-la para o blog Viver Bem, do Cantão. Conheça o Apezinho da Nina!

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