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Desafio da simplicidade

março 1, 2016

Ter 100 coisas ao todo na vida, só 100, você conseguiria? O autor Dave Bruno lançou esse desafio que nos chamou a atenção e curiosidade. Paradoxalmente, nos parece uma meta bem ambiciosa ser tão simples e despojado. Nosso amigo Marcelo nos ajudou traduzindo os principais trechos do TED do escritor (valeu, Marcelo!), que fala sobre os tempos de desperdício que vivemos e de como ele conseguiu focar na sua meta. As ilustrações maravilhosas são do Tony Hammond.

Boa reflexão!

***

Minha mensagem hoje é: simplicidade é ação. Desde o nascimento da era moderna temos nos baseado, seja individualmente ou enquanto nação, no excesso como prova de sucesso. Nós criamos e propagamos que a prosperidade está proporcionalmente ligada à extração extrema. As raízes sociais e culturais deste modelo datam dos primórdios da renascença. Lisa Jardine escreveu um livro incrível chamado Wordly Goods, eu recomendo a quem se interessar a explorar esta história.

Há milhares de anos o sábio Rei Salomão disse que “Todo o trabalho do homem é para sua boca, mesmo assim seu apetite jamais será saciado”. Todos somos testemunhas e cúmplices desta insatisfação. Especialmente aqui, na América, nós experimentamos esta insatisfação na forma do consumo excessivo. Lizabeth Cohen argumenta em seu livro, Consumer´s Republic, que após a 2ª guerra mundial os EUA criou e abraçou um sistema onde os resultados desta confusão são claros para todos nós quando abrimos nossas garagens. Se você quiser os detalhes da balbúrdia que temos criado, recomendo o clássico estudo de Juliet Schor, The Overspent American.

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Temos mais do que podemos pagar. Mesmo que este modelo de consumo produzisse pessoas mais felizes e economias mais saudáveis, ele ainda não seria fundamentalmente correto. Sacrificar a responsabilidade de longo prazo por um prazer imediato não é um caminho virtuoso. Não somos felizes e muitas economias desenvolvidas estão extremamente fragilizadas. Ou seja, se este modelo de excesso realmente funcionasse, a esta altura ele já não deveria ter sido comprovado?

Para todo lugar que olhamos vemos muitos objetos, as pessoas ainda se sentem ansiosas e muitas economias estão à beira do colapso. O que podemos, eu e você, enquanto indivíduos unidos em comunidade, fazer para mudar tudo isto? Simplicidade é ação. Quando perseguimos a simplicidade, provamos para nós mesmos, e a quem quer que esteja olhando, que não precisamos de excessos para prosperar. Por exemplo, quando buscamos relacionamentos significativos, que não estejam ligados por gadgets, presentes, objetos materiais, coisas como isso (iphone), provamos concretamente para nós mesmos que não precisamos de consumo e materialismo para nos aproximarmos e nos amarmos.

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Quando alcançamos sucesso vocacional e não expomos os ícones do consumismo, como um opulento carro de luxo, sessões conceituais de reforma da casa ou um novo e chamativo relógio de pulso para cada dia da semana, provamos que o sucesso não é validado pelas suas posses materiais. Quando todos nós buscarmos a simplicidade, provaremos ao mundo que este modelo de consumo em excesso não é o que precisamos para prosperar.

Tudo isso soa muito bem. Mas tenho uma confissão a fazer. Costumava pensar tudo isso, mas não conseguia fazer nada disso. Jamais pensei que comprar todos os equipamentos para alpinismo, me tornaria um alpinista. Mas mesmo assim, talvez mais um item fizesse a mágica acontecer. Todas as manhãs me ouço cantarolando no chuveiro, e sei que não sou um cantor/compositor e não existe quantidade de equipamentos que eu compre que me torne um. Mas aí, folheando os catálogos da Guitar Center e vendo todos aqueles equipamentos legais, talvez mais uma compra seja o que me falta.

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Enfim, estava tendo muitas dificuldades balanceando minhas crenças com minhas ações, por isso, há alguns anos resolvi que era a hora de fazer alguma coisa a respeito. E para manter a honestidade para com minhas crenças, eu criei um projeto para vida simples chamado 100TC. Resumidamente, eu me desfaria de todas as minhas posses, exceto por 100 itens. Não por que 100 seja um número mágico, mas foi a quantidade de itens que escolhi para passar 1 ano. Queria provar para mim mesmo que era possível viver por um período extenso de tempo, prosperando e alcançando o sucesso sem que houvesse excessos consumistas.

E todos os detalhes, como se 1 par de sapatos contam como 1 ou 2 itens,  ou o que seria descartado e o que ficaria, tudo isto era quase irrelevante. Já os resultados, estes sim, foram revolucionários. Todos que fizeram o 100TC ou o usaram como inspiração para criar seus próprios projetos de vida simples concordaram que uma quantidade enorme de liberdade e poder foram percebidos na simplicidade. Aqueles que buscaram a simplicidade por um período extenso de tempo, não fizeram nada além de provar que o excesso para o sucesso está errado.

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Todas as pessoas com quem converso concordam que nossa cultura de consumismo em excesso nos afoga em coisas que não precisamos. Enchemos nossas garagens, closets, porões, galpões e mesmo nossos cartões de crédito. Estamos sobrecarregados de dívidas e insatisfação e sabemos disso. Mas o que podemos fazer? Simplicidade é ação. Nós não precisamos somente pensar sobre isto, podemos realmente fazer alguma coisa. Portanto, este é o desafio de nosso tempo, e os deixarei com a seguinte pergunta nesta manhã: você entregaria 1 ano à busca da simplicidade?

Caso responda que sim, sua vida se transformará para sempre. E se o bastante de nós ficarmos por mais tempo buscando a simplicidade, isto não somente mudará nossas vidas, mas o mundo. E para melhor. O desafio das 100 coisas foi personalizado de acordo com meus esforços para enfrentar o estilo americano de consumismo e viver uma vida simples, caracterizada pela alegria e pensamento consciente. Por isso muitas pessoas estão participando. E como mudar tudo isso?

Reduzir (o que se tem)

Renegar (novas coisas)

Reorganizar (suas prioridades)

Viver uma vida sem abundância de posses, por um período extenso, é o primeiro passo para compreendermos que não precisamos acumular coisas. Se você fizer isto – se abdicar do acúmulo por um tempo – tenho certeza de que jamais voltará atrás. Ao contrário, você usará o resto de sua vida experimentando a plenitude de valores concretos, ao invés de desperdiçar tempo e dinheiro comprando mais coisas. E o melhor é que as pessoas a seu redor serão abençoadas e influenciadas por seus esforços na priorização de objetivos mais significativos.

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7 Comentários

  • Responda Nana março 2, 2016 at 1:42 pm

    Blog super atualizado com as novidades da cerimônia do casamento e da viagem da lua de mel! Passa lá quando puder.
    Bj e fk c Deus.
    Nana
    http://procurandoamigosvirtuais.blogspot.com.br

  • Responda Carol março 7, 2016 at 8:17 pm

    Que desafio hein? Gostei muito deste artigo, vou refletir sobre esta proposta de viver sem abundância.

    • Daniela Pereira
      Responda Daniela Pereira abril 28, 2016 at 4:17 pm

      Não é fácil, né? Mas se tivermos essa preocupação sempre, certamente consumiremos bem menos. Beijos!

  • Responda Diego Carza abril 5, 2016 at 11:28 am

    Tudo que eu precisava ler, excelente! Tentando praticar esse DEZ.apegos e viver melhor. Baita desafio

  • Responda Vera Soares abril 12, 2016 at 5:44 pm

    Parabéns por essa matéria maravilhosa e inspiradora.
    Grande desafio ! É preciso mudar urgentemente ! Obrigada !

    • Daniela Pereira
      Responda Daniela Pereira abril 28, 2016 at 1:21 pm

      Oi Vera, eu que agradeço a mensagem carinhosa. Um beijo bem grande pra você!

  • Responda Regina junho 1, 2016 at 10:49 am

    Eu já prático este desapego, só tenho uma bolsa, um óculos de sol, um par de tênis e 3 pares de sandálias, poucas roupas e conforme o ano passa, as roupas que não uso faço doação e é uma liberdade maravilhosa!!

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