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Som na caixa

agosto 13, 2013

Música é essencial na vida de qualquer ser humano. Música alta, não. Eu sei que colocar o som nas alturas e dançar pela casa é uma das coisas mais gostosas que podemos fazer por nós mesmos. Mas, se você divide o seu apezinho com alguém, reavalie essa sensação de liberdade que a música promove. Depois que virei jornalista especializada em música, aluguei o quarto de empregadas de uma senhora antes de dividir um outro apartamento com mais três pessoas que não conhecia. Morei ainda com uma amiga e, em seguida, com o namorado. Mas, muito antes disso, aprendi ainda adolescente a respeitar o ouvido do outro.

Fui criada em uma casa onde, de cara, tinha pai e irmão músicos que ensaiavam pelo menos duas vezes por semana noite adentro. Quando não estavam tocando, passavam o tempo livre escutando rock nas alturas. Por acaso, eu curtia tanto os dinossauros sessentistas que meu pai admirava quanto os da geração de 1970 dos quais meu irmão era fã. Mas ai de mim se eu ousasse colocar minha Marisa Monte, meu Zé Ramalho ou meu Caetano Veloso no mesmo volume. E nem ia adiantar botar os vocalizes de Marisa para competir com os berros do Robert Plant, vocalista do Led Zeppelin. Acabei aprendendo a ouvir os meus favoritos no meu quarto, com a porta fechada.

Logo que comecei a trabalhar no Rio de Janeiro, desisti do engarrafamento diário da Ponte Rio-Niterói e aluguei o quartinho no apê de Dioneia, em Botafogo. Tudo o que eu ouvia agradava a minha “mãe de apoio”.  Comecei no meu quarto e logo passei a deixar a porta aberta para Dioneia se deliciasse com minha música também. A experiência foi tão boa que fiquei mal acostumada. Ao chegar naquele apêzão sublocado no Catete onde já moravam três pessoas, perdi espaço até dentro do meu quarto. Havia um “inquilino” que era fã incondicional de Alanis Morissette e, a qualquer hora do dia ou da noite, a cantora canadense parecia estar dentro de casa com seu equipamento completo. Eu colocava fone para ouvir os discos sobre os quais precisava escrever.

musicaEssa realidade mudou no dia em que uma menina saiu, deixando o quarto para um músico gaúcho que não largava seu violão. Ficamos amigos imediatamente e passamos a fazer duetos por todos os cantos da casa. Até quando eu estava no banho, Marcelinho se sentava na cozinha e começava a tocar: ele sabia que, daquele basculante, sairia minha voz para acompanhá-lo. Foi um período maravilhoso em que a MPB e o soul venceram a música pop.

Com minha amiga Hérica, tudo correu muito bem. Cada uma ouvia o que queria em seu cantinho. Muitas vezes, até usando um fone de ouvido. E, com o namorado… bem, essa é uma negociação mais complicada, porém importante de ser feita. O meu só consegue usar o computador em casa ouvindo música. Já eu, como trabalho com a bendita, sofro para me concentrar se tem algum som diferente. Mas, com amor e carinho, é tranquilo combinar a melhor solução.

Quanto aos vizinhos, aqueles que não te deixam dormir, o ideal é ter uma boa conversa e resolver tudo na paz. Se não der certo, peça ajuda ao síndico e, na pior das hipóteses, anote a reclamação no livro do condomínio. Se ainda assim não funcionar, faça como eu fiz quando me mudei. Na época, era obrigada a ouvir uma música super nada a ver até altas da madrugada. Tentei levar a questão à reunião de moradores, mas acabei gerando um mal-estar porque a dona da música achou que eu estava dizendo que ela tinha mau gosto. E eu só estava tentando explicar que cada um tem o seu, mas que o volume me incomodava e que era falta de respeito. Não deu certo. Dei um tempo e passei a botar pra tocar pela manhã, bem cedo, discos super psicodélicos, daqueles que pouca gente aguenta de tanta experimentação. Não fui má, não. Fiz isso para tentar educar esse pessoal que acha que todo mundo é obrigado a gostar da mesma música. E deu certo.


Dicas para ouvir música com liberdade e tranquilidade:

barulho

Se você divide o apê, descubra o gosto musical dos seus companheiros.

Sugira aos companheiros ouvirem músicas juntos para ver o que eles respondem.

Se você mora num apê com vãos, tente achar o volume ideal para não incomodar seus vizinhos.

Avalie o volume de acordo com o estilo musical: se é rock, ouça mais baixo se é música clássica, pode aumentar um pouco mais; se é canção para cantar junto, não suba demais o volume para que sua voz também não saia alta demais.

Se quiser botar pra quebrar e sofrer as consequências depois, vai fundo! Mas ouça o suficiente para não sentir saudades depois, durante o período em que ficará de castigo.

Seja rock ou MPB, é importante avaliar como não incomodar quem mora junto ou ao lado!

Nota do Apezinho: aproveite pra ouvir a fitinha que a Chris, nossa Garota FM, criou para o nosso Radinho! Clássicos da MPB, maravilhosos! Aumenta o som, mas sem incomodar ninguém! :)

Curtiu? Então dá uma olhada nas outras fitas do nosso Radinho!

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1 comentário

  • Responda Dhena Do Vale outubro 29, 2013 at 7:46 pm

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