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Minha felicidade é ordinária

junho 19, 2017

Escrevi esse texto pros queridos amigos do Trendr e gostei bastante do resultado. Se você não acompanha a publicação, vale muito à pena. Só tema atual, que nos interessa, faz pensar ou conhecer novos pontos de vista.

Espero que você goste da minha definição de felicidade. Ordinária e feita de muitos, pequenos e diferentes encaixes. O link original é esse aqui.

“A minha Felicidade é ordinária…

Ela requer vigília. Hábito e repetição. Gosta de rotina. É da construção diária. Empenha-se nos detalhes. Tem fascínio por símbolos. É persistente, insistente, resistente. É movida a projetos. Aprendeu a respirar fundo pra perseguir seu bom caminho. Acorda falante e me dá bom dia, sorrindo, quase que diariamente.

Minha felicidade é família, memória, cuidados com gente. É movida a afeto e encontros. Me ajudou a criar o Apezinho, blog que divido com minhas filhas, Biba e Nanda, há quatro anos. Seu conteúdo se propõe a ajudar quem quer sair de casa e também a compartilhar as experiências de quem já passou por essa situação tão marcante. Nosso Apezinho é próprio e coletivo. E fica com a porta aberta pra quem quiser chegar. Todos são bem-vindos e fazem a felicidade das Pereiras.

No meu texto de apresentação no blog eu conto que já tive oito endereços. Incontáveis chaveiros. Janelas com vista para o verde. Para o vizinho também. Quartos ventilados. Quartos muito quentes. Varandas gostosas. Banheiros imensos. Cubículos com chuveiro. Aliás, chuveiros e fiação elétrica são o meu carma!

Já tive paredes branquinhas ou rabiscadas pelas crianças. Pintadas com cores fortes e personalidade. Velhinhas e merecendo um carinho maior. Tapetes, tive muitos. Agora só gosto de taco. Não sou de comprar eletrodoméstico. TVs bacanas. Não sou tecnológica. Mas me perco por uma moldura, foto, objeto antiguinho, flores, paninhos, canecas. Artesanal me encanta. Simples me encanta. Cor me arrebata!

Quando saí de casa já era mãe. Nunca morei sozinha. Aprendi a cozinhar muito recentemente. Não sei como as meninas sobreviveram. Meus sanduíches e o meu jeito de arrumar as coisas, de dar uma aconchegada ao que nem é tão jeitoso assim me redimem!

Mas por que falar sobre a importância de nossos endereços ao longo da vida?

Porque uma das melhores sensações dessa jornada é tirar o chaveiro da bolsa (ou do bolso) e abrir a porta de casa. Ela nos protege de tudo. É o nosso país. Tem as nossas regras. A nossa identidade. Da bagunça da chegada, com caixas espalhadas e escritas à caneta “pilot”, à acomodação de nossas memórias e pertences, um apezinho precisa nos conhecer aos poucos até que possamos chamá-lo de nosso.

E quando isso acontece, que maravilha! Construir essa intimidade com o novo lugar é uma conquista diária. Até que, uma hora, declaramos encantados e cheios de afeto: “Como o meu canto, e eu, somos especiais!” E ele o é de diversas formas. Desde a escolha do seu bairro, descoberta da vizinhança e rua, gente boa pra dar bom dia. Sua luz, tamanho das janelas, que podem amanhecer bem abertas ou protegidas com cortinas para quem gosta de sombras protetoras.

Tem as nossas referências. Livros, CDs antigos, cadernos, vinis, coleções, computador. Tudo o que nos interessa, enriquece e inspira. Entre elas ficamos à vontade. Fotos da infância, com amigos, viagens, datas importantes, em família. Em porta-retratos, na porta da geladeira, direto nas paredes. Muito importante para nos acolher nos dias mais tristonhos. Ótimos pra lembrar que não estamos sozinhos.

Sonhamos com espaços frescos. Com vento correndo que seca bem as roupas. Não sufoca no verão ou viram uma geladeira no inverno. E a cor das paredes? Ela fala muito sobre nós. Espelham nossos momentos, mudam bastante a cada novo CEP. Pretas pra desenhar com giz, coloridas, muito vivas ou brancas e nuas.

A cozinha? Poucas coisas me deixam tão feliz quanto comida fresca na geladeira feita por mim. Pra ser compartilhada com as meninas e com o Alberto. Alimentos que me esperam à noite e me acompanham ao trabalho dentro das quentinhas caprichadas. Canto especial tem que ter gosto, receitas novas e aprendizado. E eu tenho aprendido muito com frutas, temperos, legumes e verduras.

Nosso Drummond escreveu em “Casa Arrumada”:

“Casa com vida é aquela em que a gente entra e se sente bem-vinda.

A que está sempre pronta pros amigos, filhos… Netos, pros vizinhos…

E nos quartos, se possível, tem lençóis revirados por gente que brinca ou namora a qualquer hora do dia.

Casa com vida é aquela que a gente arruma pra ficar com a cara da gente”

Quem precisa escrever mais do que o poeta? Apezinho ideal é aquele que nos faz feliz e nos deixa em paz. ❤

As fotos desse texto foram tiradas pelos amigos do Rio Etc.”

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