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Leis de convivência

janeiro 30, 2018

Um dia ficamos sabendo que a Fê iria morar em Buenos Aires. Estudar roteiro. Aprender a língua. Por um tempo, sabe? Nada muito definido. E fomos acompanhando a sua vida pelas mídias e sempre pedindo, “escreve pro Apezinho, adoraríamos ter você no blog.” Há alguns dias, ela me escreveu: “Dani, tô voltando pro Brasil! Vou te mandar o post falando sobre a minha experiência!”

Recebi o texto no momento que ela retornava para o nosso país. Super emocionada, me mandou um balanço-carta-declaração-de-amor e fotos entre lágrimas e muita emoção. Como ela própria diz: coisa de quem é Câncer com ascendente em Câncer! <3

Uma honra ser o “correio” de carta tão linda. Prometemos, em nome dos amigos brasileiros, cuidar bem dela enquanto os irmãos argentinos não a reencontram em seu próximo endereço, seja lá onde for!

Bienvenida, Amada!

***

Antes de tudo, uma breve apresentação. Buenos Aires. Quatro brasileiros. Um argentino (pra lá de tupiniquim). Um apartamento pra lá de modernoso. Os moradores: Eu, Beto (meu namorado), Bruna e o casal Vi e Mati com o filho Majo (o gato mais rei da casa de todos). Agora dois novos moradores Ju (que já morou com a gente em outra casa) e Gab (namorado da Bruna). E as havaianas todas iguais. E nada seria igual se não fossem os agregados mais amados e com importante função nessa história: Fê, Kmila, Radas e Pê, e tantos outros. Amigos que juntamos dali, conhecemos por aí e são de casa.

Aquela primeira visita naquele apartamento enorme, com piscina e sem portas, foi decisiva. Nem que vendêssemos todas as roupas, era ali mesmo que íamos morar. Afinal, depois de passar por alguns lugares um tanto quanto estranhos, merecíamos exatamente aquele apartamento. Eu e a Bruna optamos por viver com emoção em Buenos Aires. E acho que o destino já era esse mesmo antes de tomar essa decisão. Mas uma certeza sempre tivemos: não vamos nos separar não. Nem se for para morar tudo entulhado em uma kitnet sem janela.

À essa altura do campeonato, já éramos em três. Afinal em Buenos Aires também passei a entender um pouco mais da vida de “juntados”, o Beto também morava com a gente. Para ocupar tanto espaço, sem nem conhecer o apartamento Victor topou vir. E com ele, nosso lado mais argentino, o Mati. Ah, e claro, com os dois, o rei da casa: Majo.

A história é longa. E não faz muito sentido detalhar. Sabemos as dores e delícias de sermos nós. E a companhia…não tenho ideia do que teria sido desse 1 ano e meio de Buenos Aires sem essas companhias. E isso aqui seria uma carta muito grande. Mas na verdade eu, que seguramente fui a moradora que mais passou tempo no apartamento, tenho algumas dicas para passar para quem fica e para quem vem.

Buenos Aires não tem esse nome à toa. Pelo menos não pra mim. Não importa o clima, o céu é sempre um deslumbre. E nessa casa, com poucos móveis (no geral improvisados com os restos da obra do prédio e muitos pallets) e muita janela, nos dá a sensação de que o mundo é nosso. E acho que talvez seja mesmo. Se tem muito calor, corram para os decks de madeira. Lá a vista é de 360º e sempre venta. Parece que limpa toda e qualquer energia estranha que tenha se aproximado. Ah, e por falar em energia, notem, que toda vez que regamos as plantas, a arruda solta todo seu cheiro protetor – na minha cabeça é como forma de agradecimento pelo cuidado.

Subir na sacada do quinto andar também é uma boa pedida. Lá dá para trocar olhares com o sol enquanto ele se põe. E no meu (nosso) tão conturbado 2017, quando vocês não estavam aqui fisicamente, era para lá que eu sempre corria. Ah, ainda nessa ideia de troca de energia, o rei da casa é capaz de curar qualquer dorzinha dentro do peito. Acredito que o Majo seja a “personificação” do nosso amor – hoje o enxergo como um pouquinho de cada um de nós. Certa dedicação diária com certeza faz mais bem para a gente do que para ele. Porque nada paga os papos que ele bate com o Victor, os pedidos de carinho e principalmente a relação de amor dele com o pente. Ah, me desculpem pela chatice nos últimos meses em relação às sacadas abertas. Eu sei que exagero. Mas se não fosse exagero, não seria eu. E sabe, meu coração aperta só de pensar em vê-lo de novo lá embaixo depois de uma queda. Gab – nosso ex-agregado e novo morador – essa parte eu deixo pra você só trocar olhares com ele mesmo. Sabemos que não falta amor.

Uau. Isso tá ficando longo. Mas ei, mantenham o ritmo com festas, monopolys, chás, noites mal dormidas e tarde bem descansadas.

No mais, e acho que o conselho mais sincero que posso dar, se cuidem. Cuidem um do outro. Se escutem. Se falem. Se abracem. Entendam que cada encontro dessa vida tem sua importância, e se estamos juntos até hoje é porque nosso amor nos preenche. Aproveitem, muito além da casa, mas as pessoas que a vida fez o favor de colocar nos nossos caminhos. Porque no fim, o que realmente importa, é quem fez parte da nossa história. Quem nos ajudou a escrever mais um capítulo do livro da vida. E, que todos vocês, com certeza aparecerão nas próximas páginas. Aqui foi só o começo. Duro, mas que me deu esperança e força para seguir em frente. Buenos Aires me fez enxergar o ser humano como parte de algo muito maior. Com sentimentos, emoções e energias. E essa conquista também é de vocês. Por isso, às vezes de forma exagerada e maternal (câncer com ascendente em câncer, né?), eu estou sempre aqui, de braços abertos. Pronta para virar mais uma noite tagarelando, escutando ou só pensando “como vai a vida de cada um?”.

Se hoje volto de mala e cuia ao Brasil, é de coração aberto e tranquilo. E essa felicidade é fruto de vocês também. E de poder acordar todos os dias e ver o céu. E ir dormir e ver a lua (às vezes duas). E quem sabe nossos extraterrestres? Porque a maior lição que tive em Buenos Aires foi de me amar por completo, com meus defeitos e qualidades. E reconhecê-los. E amar aos outros exatamente como são. E não sei como cheguei aqui, mas hoje posso afirmar que me encontrei – e vou embora pronta para os próximos desafios.

Obrigada, meus maravilhosos. Cantem sempre nosso grito de guerra (MARAVILHOSOS, MARAVILHOSOS). Sejam vocês, sempre. Nos unimos assim e temos que seguir da mesma maneira. Já sinto uma saudade enorme desse casamento que tivemos nos últimos seis meses. Na verdade, desde antes do apartamento.

Amo vocês com todo meu coração. E já estou ansiosa para conhecer os próximos apezinhos de todos nós e todas as histórias que vão ser criadas. Nos vemos logo. Aqui, aí, lá ou em qualquer lugar. ♥

p.s.: coloquem logo uma cortina na cozinha. Seguramente existem muitos vídeos meus por aí cantando e dançando para o meu público imaginário na sala. Ou correndo pela casa com bolinhas e ratinhos para tornar o Majo mais fitness.

p.s.2: o nome da casa, além de Maravilhoso, poderia ser AMOR. Não pelo que sentimos um pelo outro. Mas eta gente que se acostumou a se confundir e chamar o amigo de “amor”.

Fê Burzaca

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1 comentário

  • RespondaJulianafevereiro 19, 2018 at 4:24 pm

    Lamento dizer que o gato vai cair se não colocarem tela

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