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Habitado

setembro 22, 2016

A Ilana é prima de uma de nossas melhores amigas, a querida Nira, colaboradora do Apezinho de longa data. Quando fomos apresentadas, ela me mostrou o seu mais recente projeto, o habitado, e eu me apaixonei! Todas as fotos trazem um olhar próximo e original. Uma luz cheia de afeto. Registros de hábitos simples que compõem nossa rotina e nem nos damos conta. O habitado tem tudo a ver com a nossa proposta! Nesse post, ela nos conta como tudo aconteceu.

Boa leitura!

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Como começou o projeto? Ele é a junção de algumas buscas de longa data. O interesse por casas, tenho desde criança. Depois que tive filhos, tenho a necessidade de entender como é a vida cotidiana de qualidade, a qualidade nas relações e no espaço de convivência, no tempo das pequenas coisas. Soma-se a isso um resgate da liberdade na linguagem fotográfica, depois de muitos anos clicando publicidade, still e estúdio.

Tudo isso aconteceu depois de uma pós-graduação em Antropologia Visual. Em ter feito um trabalho de arte (Urban Space) colaborativo, pensando o espaço urbano em diversos países. E o fato de caminhar para a especialização em lifestyle e decor no meu estúdio. Enfim, muitas convergências no âmbito psicológico, artístico e profissional.

Na primeira edição do habitado fiz um mapa a partir de um raio na região centro-oeste de São Paulo, ao redor da minha casa. Passei a fotografar, de forma sistemática, o interior das casas e a vivência de seus moradores. Explicitando objetos carregados de personalidade e história, reveladores de identidade, bem como pequenas ações cotidianas. Procurei o perto, o conhecido. Meu desafio de descondicionar o olhar, de voltar a ver, de achar no dia a dia o conteúdo e a forma.

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Quem são os retratados? As casas escolhidas são de artistas, arquitetos, pessoas que transitam nesse universo e que se expressam de forma autoral na ocupação dos seus espaços íntimos. Carol Gay, Fernado Falcon, Lucas Simões, Laura Magri, Marina Loducca, Domingos Pascali, Cristiano Pio de Almeida, Faculdo Guerra e muitos outros.

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O que chama atenção do seu olhar? A ocupação do espaço feita com objetos que tenham histórias. Garimpados, herdados, feitos, restaurados. Pequenos bilhetes, coisas usadas como decoração que contam um pouco sobre a vida de quem mora ali. Nas fotos com os habitantes, procuro a delicadeza nas ações cotidianas, como escovar os dentes, dormir ou abrir uma geladeira.

As imagens buscam a banalidade estética. A cena que não representa nenhuma ocasião comemorativa, o ambiente desarrumado, o oposto do preparado, do icônico, do memorável. Um canto da casa, uma ação corriqueira, objetos, rastros, índices que trazem a dimensão vivida do cotidiano. Desconstroem a estética publicitária e arquitetônica a qual estou familiarizada, com suas linhas retas, sua iluminação rigorosa e seus grandes equipamentos.

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O que vc quer mostrar com o habitado? Basicamente, dentre outras muitas coisas, que criar o seu espaço de moradia, resignificando objetos, é tão fundamental para a qualidade de vida quanto comer e dormir. Além de intensificar a dimensão de experiência da arte e trazer o público como interagente da criação, não apenas como espectador.

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Como participar dele?

a – Qualquer pessoa pode postar fotos de suas próprias casas com o hashtag #habitado.

b – Se inscrevendo para o LAB-SP, uma  vivência de experimentação da linguagem fotográfica, durante finais de semana entre outubro e novembro. Para participar, mande um email para habitado.projeto@gmail.com, que retornaremos com as infos.

c – Durante as instalações e intervenções do projeto. Onde o publico é convidado a se apropriar das imagens para pensar sobre suas utilizações. Recortando, colando, editando, resignificando as imagens no espaço de uma casa ou até mesmo da cidade. Em março desse ano fizemos uma ocupação com fotos, vídeos e intervenções em uma casa recém construída no Jardins em SP, em parceria com projeto METRO Arquitetos com curadoria da CARME. A ideia foi levar pequenos fragmentos de vida para uma casa ainda sem histórias. De forma inusitada, as imagens e vídeos convidavam o publico para percorrer o espaço e vivenciar o entrelaçamento da arte com a arquitetura local. Uma mesa com centenas de fotos 10x15cm, tesoura, lápis e fita, convidavam o publico para intervir em uma das salas.

Esse mês, com apoio da revista C.A.T., colamos lambe-lambes em muros de SP. Expandindo a maneira de habitar o espaço urbano. Os lambes são apresentados no mapa em um circuito de 1h de bike pela região centro-oeste de São Paulo.

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Para ver imagens das casas e das intervenções, é só nos seguir em www.instagram.com/habitado.projeto.

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