contar

Como na velha canção

abril 28, 2014

Quando a proprietária do Apezinho convocou a todos nós felizes inquilinos a escrever sobre cantos favoritos em nossas casas, lembrei das tias no ensino fundamental que nos demandavam redações sobre as férias em nossos retornos letivos. Mas é porque tenho a felicidade de conhecê-la desde quando frequentávamos os mesmos bancos escolares maristas.

Tenho que escrever sobre meu canto e não sobre meu ócio. Não é a sala, onde recebo os amigos e assisto aos jogos do Flamengo pela TV; nem a cozinha, dado que não sou afeto às artes culinárias, embora admire a gastronomia como rito de sedução; tampouco é o quarto, onde durmo e onde, na maioria das vezes, transo.

10306915_10152103767811483_732158487_nNo melhor estilo da velha canção “meus livros, meus discos e nada mais”, meu lugar favorito é o escritório. É onde passo horas a fio, fugitivo do sol hostil e do calor carioca, escrevendo poemas e crônicas, editando fotos, baixando músicas no computador, ou simplesmente navegando nos mares da internet e nos egos oceânicos das redes sociais.

 É aqui que guardo meus livros, que compro e ganho em quantidade maior do que dou conta de ler e lanço um olhar cobiçoso, mas aflito, para a estante. É também no escritório que está minha coleção de CD, agora reduzida àqueles que gosto de ouvir na íntegra enquanto escrevo ou só mesmo para cantar junto. Os demais tiveram as faixas prediletas digitalizadas e somam umas cinco mil salvas no ipod de 160 giga. Aqui também residem minhas memórias afetivas, em muitas cartas e fotos do tempo em que ainda as imprimia.

10299481_10152103776146483_1114682884_nNo escritório, também estão pequenos objetos de grande significado só para mim. Vários sugerem liberdade: a gaivota de metal entre os livros; o desenho de um homem que desenvolve asas; a escultura da bike com o ciclista de braços abertos (lembra da cena de Cidade dos Anjos?).

Tem também o bonequinho do levado Calvin, com camiseta listrada rubro-negra; a miniatura do Mustang preto modelo 1967, carro fetiche (que mané, Camaro amarelo); a caveira pintada alegremente ao estilo mexicano, pra lembrar que temos que aproveitar o tempo que temos, que a morte existe, mas não assusta; o chipanzé reflexivo com fone, ouvindo atentamente as músicas que não vivo sem;  a logo da Harley-Davidson, moto, estilo e sonho realizado; e o maior estímulo para quem encara seu próprio buraco negro e a tela branca: “Be Brave. Write”.

 Foi o que tentei aqui.

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Nota do Apezinho: o Leandro já escreveu esses posts! O menino que muda e Verbos para 2014.

Quer conhecer mais cantinhos de nossos amigos? Aqui: Portas AbertasMeu Canto e Prático? Predileto!

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