contar

Chegou a hora!

agosto 23, 2013

Como a gente sabe qual é a hora de sair da casa dos pais? Desde que um leitor muito bacana mandou essa pergunta, penso nisso constantemente, na tentativa de achar uma resposta. Vou começar com o que todo mundo já sabe: cada caso é um caso. E vou continuar contando a minha história, do meu ponto de vista e do da minha mãe (que aceitou relembrar algumas sensações da época para que eu colocasse aqui!). Depois eu vejo se existe alguma resposta para a questão, ok?

Eu saí de casa da minha mãe com mais ou menos 22 anos. Até ali, o que eu sabia em relação a morar sozinha era que eu queria, um dia, morar sozinha. Estranho? Acho que era uma vontade, mas nada que estivesse me fazendo perder o sono. Eu só queria. E pronto. O empurrão para que o processo se desencadeasse foi uma oportunidade. E acredito que isso deve acontecer com muita gente. Eu tinha uma amiga muito querida que também queria sair de casa, eu já tinha um salário no fim do mês, existia um apartamento próprio que poderíamos dividir (e aí não haveria aluguel) e eu embarquei.

Mas não foi assim tããão simples. Sou a terceira de três filhas, minhas duas irmãs já tinham casado e saído de casa, minha consciência pesava um tanto por deixar minha mãe sozinha. O detalhe é que ela nunca fez esse tipo de drama, eu é que me sentia mal por conta própria pensando nisso. :)

Eu fui saindo devagarinho. Não peguei tudo de uma só vez e levei para a casa nova. Não, foi tudo aos poucos.De qualquer forma, por outros motivos, ela também não era a maior entusiasta da minha saída de casa. Minha mãe pensava principalmente no aspecto financeiro, achava que eu poderia não dar conta (realmente, meu salário era uma miséria!) e que eu era muito nova. E, por fim, aquela coisa de mãe: ela se sentiria mais segura se eu estivesse saindo para casar – ou juntar, o que for. Porque aí já estaria no meio do caminho para ter uma família. Coisa de mãe. E eu confesso que acho fofo – naquela época não achava, mas hoje acho. 

Eu fui saindo devagarinho. Não peguei tudo de uma só vez e levei para a casa nova. Não, foi tudo aos poucos. Acho que foi uma maneira mais leve de me despedir. Dormia uns dois dias lá, outros dois cá; fazia pequenas sacolinhas de roupas e ia levando de vez em quando; aproveitava para fazer algumas refeições na casa dela; chamava para me ajudar a ver coisas da casa nova. E aí tanto ela quanto eu fomos nos encaixando na nova vida. E foi uma delícia, sabe? Minha mãe é daquele tipo que para tudo que estiver fazendo se eu precisar de ajuda. Que não mede esforço nenhum para fazer o que for por mim e pelas minhas irmãs. E eu sabia que ela estaria sempre por perto, se eu precisasse, já na casa nova. Isso foi bem importante para mim.

Você vai precisar viver – e não apenas morar! Enfim, pensando aqui nas coisas que ela me falou e tentando achar a tal da resposta, eu acho também que a questão financeira é bem relevante. Mesmo que você faça as contas e perceba que, sim, tem grana para pagar aluguel, contas e comida, isso pode não ser suficiente se não houver uma sobra. Afinal, você vai precisar viver – e não apenas morar! Ir ao cinema, jantar fora de vez em quando, comprar um presentinho para alguém especial, cortar o cabelo, fazer as unhas, viajar nas férias… Isso tudo é gasto. E tem que ser contado. Juntar algum dinheiro, mesmo que bem pouquinho todos os meses quando você já estiver na casa nova, é altamente recomendável!

Chegou até este ponto do post e ainda tem saco de ler? Então eu queria falar mais um pouquinho. A gente descobre coisas novas sobre nós mesmos quando saímos da casa dos nossos pais. A minha mãe até falou sobre isso comigo, quando eu pedi que contasse como foi: ela me conhecia como a filha que morava com ela, mas não como a filha que ia morar sozinha. Imaginava como poderia ser, mas não tinha certeza. E nem eu! A gente vai descobrindo e construindo o nosso “eu que mora sozinho”. Que podia ser um zoneiro na casa dos pais, mas na casa nova tem um cuidado extra. Ou que passa a se sentir livre para se esparramar mesmo, pois o canto é inteiro seu. Cada um age de um jeito, mas a gente nunca volta a ser exatamente quem era. Por mais que as mudanças sejam minúsculas. E isso é bom demais.

PS: Este post é dedicado ao Gustavo Zózimo!

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8 Comentários

  • Responda Cris agosto 26, 2013 at 1:54 pm

    Achei o post super interessante, não somente pela descrição da sua saída de casa, mas pelo carinho que teve com seu leitor (Gustavo) eu li o post anterior e desde então perguntei, por que queremos sair de casa, se não formos para formar a nossa família? Saí de casa pós casada e até hoje sinto falta… Bjs Josy

    • Josy Fischberg
      Responda Josy Fischberg agosto 30, 2013 at 1:32 pm

      Oi, Cris! Que bom que vc gostou. Volte sempre, viu? O Apezinho é para quem mora sozinho, com marido, com filhos, com amigos… Estamos todos juntos nessa. :) muitos beijos

  • Responda Gustavo Zozimo agosto 26, 2013 at 3:33 pm

    Olá Josy e equipe apezinho,
    Como vão!?
    Que surpresa agradável tive no domingo à noite, quando comecei a ler as ultimas do apezinho, percebi pelo título que se tratava do prometido post “ Quando sabemos a hora de sair de casa?!”
    Guardadas as devidas proporções, até pq sou homem e acho q para a mãe se “libertar” de filho homem provavelmente é mais “fácil”, acho que será bem parecida minha mudança. A diferença, é q sou muito ansioso, então, não conseguirei fazer a mudança aos poucos, acabarei fazendo tudo de uma só vez!!rs
    Josy, muito bom ler a sua história, que bom q deu tudo certo para vc e sua mãe, espero que dê tudo certo comigo tbm, foi mto bom trocar essa ideia com vc e com a equipe apezinho!!
    Continuem com essa linha de post, de histórias e tudo mais. Tenho certeza que ajuda bastante à todos, para mim, pelo menos, tem sido inspirador.
    Josy, obrigado mais uma vez!!
    Bjs, bjs

    • Josy Fischberg
      Responda Josy Fischberg agosto 26, 2013 at 4:06 pm

      Oba! Depois da sua mudança, vai ser a sua vez de contar aqui como foi, combinado? beijo grande e boa sorte!

  • Responda Rafael Godoy dezembro 19, 2013 at 11:41 pm

    Gostei da parte de ‘descobrir mais sobre você’, olha que ainda nem arrumei as malas e to achando que isso já está acontecendo. Eu to de mudança, e 3 anos depois que você, (fiz 25) to indo para os EUA pra estudar e fico por lá pelo menos 5 anos, e se tudo correr bem, pretendo morar de vez, estou na mesma situação; deixar a mãe, mas minha irmã (casada) faz parte do batalhão ‘mãe to aqui’ mas ainda assim da um aperto, a minha tbm é super dedica, a mega mãe, só falta a capa e saber voar o resto do combo já se faz presente, quanto a saber a hora, acho que a minha foi quando ela ficou doente (câncer, mas está super bem agora, seções de químio encerradas, apenas exames de rotina, isso aconteceu a 3 anos) a realidade bateu mesmo a minha porta ‘um dia ela não vai mais estar aqui, e eaí?! conclui que era chegada a hora de expandir, e depois de esperar o mau momento passar, cá estou eu, decidindo quais roupas levar na mala, e marcando o blog como meu novo favorito.

    Obrigado pelo post.

    Rafa.

  • Responda murilo dezembro 21, 2013 at 8:18 pm

    cara eu só tenho 17 anos e ja tou saindo de casa! (aqui em casa ta insuportavel, ngm ouve oque falo e ngm respeita ngm) vai ser foda, vou ter que dar meus pulos =/

  • Responda Ariane março 31, 2014 at 10:57 am

    Oi Josy!
    Gostei muito de conhecer sua história!
    Eu saí de casa uma vez, por circunstâncias extremas e irremediáveis, e depois minha mãe se adoentou e eu a levei pra morar comigo… Mas depois de ela recuperada, queria meu espaço de novo, minha casa novamente. Então faz 20 dias que eu saí novamente de casa ;)

    PS: Nao teria paciência pra levar as coisas aos poucos, hahaha
    Sem contar que se eu quisesse usar determinada roupa e tivesse na casa dela? Neeem, já mudei de vez! ;D

  • Responda Silvia abril 2, 2014 at 11:20 am

    Oi gente,

    Fazia tempo que eu queria sair da casa da minha mãe e também tinha todo esse medo e peso na consciência de deixa-la sozinha. Mas aí chegou o carnaval, um empurrão das amigas, a certeza no peito e eu fui levando as coisas aos pouquinhos.
    Sem dúvida foi a melhor decisão que eu tomei até agora. Tô descobrindo meu próprio jeito também. E fica aquela coisa ainda “porque eu não sai antes?”. Mas tudo tem seu tempo.
    Boa sorte Gustavo e se tiver a grana, vai com medo mesmo, depois passa!

    Beijos,

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