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A chef que habita em mim saúda a chef que habita em você

junho 6, 2019

A Ana Beth é amiga querida das Pereiras e estará por aqui compartilhando seu amor pela alimentação saudável. Das suas mãos nascem delícias!

Nesse post ela conta quando e por qual motivo descobriu que a cozinha era a sua cura.

Seja bem-vinda, Querida! O Apezinho é seu! <3

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A alimentação sempre foi uma questão crucial na minha casa; meus pais foram atletas, são professores de educação física e nutricionistas, sempre se alimentaram super bem e isso refletiu muito na minha vida. Em uma época que pouco se falava em alimentação natural, na minha casa só entrava integral, orgânicos do nosso sitio, não tinha doces, muito menos refrigerante. Quando ainda nem se falava sobre o glúten, minha mãe já comprava comida sem glúten. Coca-cola eu parei de tomar com 12 anos. Nunca comi bacon, nem salaminho… quase uma brincadeira do eu nunca.. :)

Mesmo com esse histórico saudável, meus pais não cozinham, na verdade meu pai é um chef de final de semana, tem todos os livros do Jaime Oliver, teve horta, galinheiro, fazia compostagem, teve uma criação de minhocas, e minha mãe nem se atreve a abrir um ovo. Toda a culinária  – e também a ordem na cozinha – fica com a Gilda, cozinheira de mão cheia.

Escuto muita gente do mundo da gastronomia falando sobre as inspirações que tiveram em casa; mas esse não foi o meu caso, eu não aprendi NA-DA sobre esse universo em casa. Para dar algum crédito a minha mãe, quando eu tinha 15 anos ela me botou num cursinho básico de culinária e foi ali que aprendi a descascar uma cebola.

Aos 22 anos parei de comer carne e frango, aos 28 anos parei de comer peixe, aos 29 parei consumir bebidas alcóolicas e aos 32 virei vegana. E me sinto muito bem!

Agora vou contar um momento bem desafiador da minha vida que foi a virada de chave para entrar na culinária. Tudo começou quando eu saí de casa aos 27 anos. Eu que sempre levei marmita com a comida da Gilda para todos os lugares, me vi sem essa mordomia, e passei a comer na rua todos os dias. Estava me alimentando mal, trabalhando muito e bebendo mais que o necessário e sem fazer exercício físico, estava inteiramente desequilibrada. Logo eu que sempre me achei – e era considerada – equilibrada, natureba, hippie; estava perdida em mim mesma. Foi aí que meu corpo gritou.

Foram 6 meses passando mal. Tinha dores de barriga fortíssimas, manchas pelo corpo, meu cabelo começou a cair, tive crises alérgicas à comida e a produtos. Não podia usar creme, nem shampoo, nem esmalte, nem maquiagem. Passei muito tempo usando sabão de coco no cabelo, e apenas óleo no corpo. Tive dois momentos graves da glote fechando por alergia alimentar.

A primeira foi no meio do carnaval quando eu e meu marido fomos almoçar, eu ainda comia peixe, mas quase nunca comia frutos do mar ou crustáceos. Nesse dia resolvi provar um caranguejo. No meio do almoço meu coração começou a disparar, minha língua a inchar, minha pele toda vermelha e minha cara também. Tive que correr (muito) em direção a farmácia e depois pro hospital para não ficar presa e sufocada no meio do bloco de rua do Rio de Janeiro. A segunda vez foi tomando uma cerveja. Depois que terminei a long neck, minha pele começou a ficar com placas enormes vermelhas e meu rosto a inchar. Corri para o hospital.

Nesse processo descobri uma intolerância forte à lactose, alergia a iodo, a cevada ou malte e a produtos químicos. Descobri que meu remédio da tireóide estava com a dosagem errada, fazendo meu corpo trabalhar menos para combater tudo isso. Por fim, descobri que estava com ameba histolytica no meu intestino. Passei meses tentando matar esse ser não bem-vindo no meu organismo. Tomei uns remédios muito fortes, tomava homeopatia e floral, fiz até umas mandingas, demorou uns 6 meses ou mais, mas consegui combatê-la.

E assim, desenvolvi uma síndrome do pânico. Não comia nada, em lugar nenhum, não bebia, nem queria saber de casa. Foi bem difícil. Logo eu que sempre fui de sair, eu que sempre tinha tido uma relação ótima com a comida, agora achava que ia passar mal com qualquer coisa. Dei uma pirada, estava quase deprimida e extremamente ansiosa. Para amenizar esse sintomas, voltei para a yoga, meditação e também para a terapia e, o principal, fui cozinhar.

Comecei a cozinhar como forma de terapia, como uma forma de amor próprio, em prol da minha saúde física e mental. E, nerd que sou, mergulhei nos estudos. Fiz uma formação em ayurveda, em yoga e em alimentação vegana e crua. São anos mergulhada nesse universo maravilhoso e, também chocante, da alimentação.

O  mais importante de toda a minha história é que descobri nesse mundo uma paixão que vou dividir todo mês, com vocês aqui no Apezinho! Vou dar dicas, compartilhar experiências, e juntas aprender a se nutrir melhor!

Espero que você se apaixone também!

Namastê

<3

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3 Comentários

  • RespondaJulianna Limajunho 7, 2019 at 3:42 pm

    Adorei! Orgulhosa de você Ana. Sucesso sempre!!

  • RespondaGabrielajunho 7, 2019 at 5:31 pm

    Adorei, AnaB!!! Fico no aguardo das receitas deliciosas.

  • RespondaBeatriz didierjunho 8, 2019 at 8:38 am

    Ahh que texto maravilhoso! Nunca imaginei que você tinha passado por tanta coisa!
    Ana! Vou acompanhar sempre para ver as receitas!

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