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Cuide do mundo

abril 5, 2016

Sabe quando o mesmo assunto chega a você por caminhos diferentes? Pois é… Estava pensando como o conhecimento e o cuidado se conectam no dia a dia. Para cuidar de você mesmo, de um gato, de uma criança, de um problema, ou mesmo da casa precisa de algum conhecimento. Não é ser profissional ou especialista no assunto mas tem que conhecer um pouquinho.

E quando a gente não sabe nada? Pergunta. Corre atrás para aprender. Foi assim que nasceu o Apezinho: para ajudar a gente a se cuidar… Cuidar da casa, da alimentação, das pessoas queridas, do mundo todo. ;-)

O cuidado possui um caráter elástico: quanto mais a gente cuida, maior fica a vontade de cuidar… Da mesma forma, acontece com o conhecimento, quanto mais a gente pesquisa, mais interessante as coisas se tornam e mais questionamentos surgem. Quanto mais você se conhece, mais você se cuida. E esses movimentos nos levam a mudanças! Mudança de hábitos como procurar se alimentar melhor, se organizar etc.

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Na busca por uma vida mais sustentável, refletimos sobre o padrão de consumo: passamos a conhecer melhor nossas necessidades, saber mais sobre o produto a ser adquirido e também sobre o trabalho despendido na confecção daquilo que estamos desfrutando (seja uma cadeira, uma roupa ou comida).

Com relação ao preparo da refeição, ficou mais fácil buscar qualidade e reconhecer o tempo e o trabalho envolvidos na tarefa. Valorizamos a comida preparada com carinho e cuidado! Uma iniciativa bem interessante é o aplicativo Eatwith.com, que reúne pessoas que gostam de cozinhar e turistas em várias cidades (Rio de Janeiro e São Paulo estão lá) ao redor do mundo.

Em outros setores como a agricultura, moda, ainda estamos longe de perceber isso. Principalmente nas cidades, onde a oferta de produtos é tão rica que passa a ser natural ter qualquer coisa à disposição, durante todo o ano, com preços e qualidade variados. Paramos de pensar nas etapas e recursos envolvidos no ciclo de produção: a procedência da matéria-prima, a sua natureza, o trabalho realizado, a água consumida, a poluição gerada… Afinal chega tudo pronto vindo de um terra “distante”. Parece mágica!

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As condições de trabalho, os dejetos resultantes do processo, a gente desconhece. Ouvimos ou lemos notícias sobre exploração do trabalho, inclusive, infantil, no Brasil, na China, em todo e qualquer local. Quantas vezes realmente paramos para pensar a respeito da compra que realizamos e o seu impacto no meio ambiente, na economia, nas relações sociais?

Sem qualquer crítica à conduta de pessoas, empresas ou governos nessa questão, o propósito aqui é compartilhar a reflexão sobre o papel de consumidor. Qualquer produto tem um custo para estar ali e todos nós trabalhamos para viver.

A roupa, o sapato, o móvel, o chocolate, o café que atendem a nossa necessidade permitem que aqueles que trabalham na sua produção também tenham suas necessidades atendidas? Será que o preço de um produto é justo? E a qualidade do produto? Como avaliamos isso na correria diária? O planejamento das compras permite a pesquisa de preços, qualidade e procedência. Isso ajuda bastante na hora de escolher o que comprar e de quem comprar.

A internet apresenta vários sites como o Reclame aqui, sobre reclamações de consumidores de bens e serviços; o Buscapé para comparação de preços; o da Environmental Working GroupEWG –  organização sem fins lucrativos dedicada à proteção do meio ambiente e da saúde humana – permite a pesquisa através do ingrediente da fórmula do produto; e da Clean Clothes Campaign que promove o respeito nas relações de trabalho.

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As mídias sociais também ajudam muito na divulgação de informações, principalmente os grupos mais direcionados. Aqui, vale o cuidado de verificar a informação recebida que, por vezes estão defasadas ou a fonte pode ser questionável, enfim os cuidados próprios da “vida” digital.

Apesar dos tratados internacionais para combater a exploração do trabalho e o trabalho escravo ainda não temos mecanismos no Brasil que permitam um levantamento objetivo. Ficamos dependentes das notícias e do nosso interesse em apurar o que acontece no mundo. O mais alarmante é que a exploração de trabalho acontece bem perto de nós.

Em Haia, foram relatados casos de exploração de empregados domésticos servindo a diplomatas e embaixadores estrangeiros – em geral, os passaportes dos empregados são confiscados, a carga de trabalho é excessiva, o pagamento abaixo do salário mínimo vigente e as pessoas ficam confinadas, sem permissão de sair de casa ou ter contato com outros fora daquele ambiente.

Segundo o relatório da organização Walk Free Foundation, em 201435.8 milhões de homens, mulheres e crianças viviam em situação de escravidão moderna (que abrange trabalho forçado ou por dívidas, tráfico humano – inclusive para fins sexuais ou casamentos forçados, em que uma das partes é subserviente), sendo 160 mil no Brasil. O número divulgado em 2015 pela Organização Internacional do Trabalho – OIT é um pouco menor: 21 milhões no total. O relatório completo pode ser encontrado aqui.

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No Brasil, o trabalho da Reporter Brasil é reconhecido no combate ao trabalho escravo contemporâneo e ao tráfico de seres humanos no país. O site HumanTrafficking.org reúne informações diversas no combate ao tráfico de pessoas em parte da Ásia e Pacífico. Nos Estados Unidos, a Innocents at Risk fundada por uma comissária de bordo, trabalha principalmente no combate ao abuso, tráfico e trabalho infantil. Aqui temos um artigo bem interessante sobre o trabalho dos comissários de bordo nesse contexto.

Na Holanda, com vistas a combater a exploração do trabalho, a organização sem fins lucrativos Fair Work dá apoio às vítimas de escravidão moderna, em diversos idiomas, inclusive em português. E quantos brasileiros espalhados pelo mundo podem estar nessa situação? Esse documentário trata do tema tráfico de pessoas: escravidão moderna e demonstra como são feitas algumas abordagens aqui no Brasil. Para saber mais a respeito, pode seguir também por aqui.

No site da ONU Brasil há registros do tipo de situação que se enfrenta como anúncios de empregos falsos que levam brasileiros a serem vítimas de tráfico humano como relatado nesse vídeo.

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Não vamos resolver todos os problemas, mas conhecê-los nos ajuda a fazer escolhas. Afinal, “o consumidor consciente é aquele que leva em conta, ao escolher os produtos que compra, o meio ambiente, a saúde humana e animal, as relações justas de trabalho, além de questões como preço e marca. O consumidor consciente sabe que pode ser um agente transformador da sociedade por meio do seu ato de consumo“, conforme matéria publicada no jornal O Globo.

Segundo o Instituto Akatu, “consumir com consciência é consumir diferente, tendo no consumo um instrumento de bem estar e não um fim em si mesmo”. Se você quiser conhecer os 12 princípios do consumo consciente, é só clicar aqui. Alguns são mais fáceis de seguir do que outros.  O desafio é alcançar o nosso ponto de equilíbrio! Cada um encontrará o seu, mas dá trabalho. “Que a força esteja com você!” ;-)

Alguns artigos estão em inglês, o Chrome nos dá uma ajuda na tradução.

Nota do Apezinho: Não ganhamos nada com publicidade. As marcas e sites aqui mencionados são os que conhecemos ou pesquisamos.

As imagens maravilhosas desse post são do Ravi Mishra e retratam a bela Índia, que, apesar dos maus tratos que sofre sucessivamente, permanece encantadora e mágica.

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